Category Archives: Pensamentos

O bode na sala

Uma família, que vivia em um apartamento bem pequena, em um cidade pequena, vivia brigando. E o motivo da brigas era que o apartamento era pequeno demais. A filha reclamada do tamanho do seu quarto, a mulher reclamava do tamanho da cozinha, a sogra (que vivia com eles) reclamava que seu canto onde ficava tricotando era muito perto da sala e da cozinha e, apesar de gostar de ouvir conversa dos outros, o barulho da Tv e do rádio incomodava…

Enfim, todos reclamavam que a casa era muito pequena. O pai da família, que era o provedor, apesar de nunca ter deixado faltar comida na mesa, não tinha dinheiro para que a família se mudasse para um lugar maior.

A cidade era pequena, e quem resolvia pequenos conflitos etc. era um padre local.
O pobre homem, atormentado pelos seus parentes foi procurar conselho do ancião.
Disse que já estava em seu limite, não aguentava mais ser cobrado e atormentado. Amava sua família, mas chegou até em pensar no divórcio. A situação estava crítica.
Depois de pensar um pouco. O velho padre deu seu veredito: compre um bode e coloque-o na sala.

O homem saiu de lá enfezado. Que espécie de conselho estapafúrdio era aquele?! Como um bode na sala poderia ajudar?
Mas, ao chegar em casa, as primeiras reclamações lhe fizeram mudar de ideia.
Saiu e comprou um bode.

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[In]formação vs. formação

Não adianta ficar por dentro de todos os acontecimentos, se não tiver formação.

Quando você vê o jornal, ou lê uma notícia, está adquirindo informação.
Quando lê um livro, ou aprende alguma coisa, já é formação.

Claro, precisamos das informaçãos, mas o que engrandece as pessoas é formação.
É preciso lembrar disso, para ampliar o intelecto e não apenas se tornar um depósito de dados.

“Testamento”

Antes de ser operado, me preocupei que, com minha eventural morte, não houvesse nenhuma indicação do que fazer com meus bens. Por isto escrevi algumas orientações. Felizmente, não foram necessárias. Aqui estão elas:


Eu sei que este não terá valor legal, mas gostaria que as disposições aqui registradas fossem honradas. Já que não tenho um testamento registrado, esta será a única indicação do que ser feito com meus bens materiais, no caso de uma fatalidade.

Primeiramente, dos meus restos mortais, gostaria que fosse feito o melhor aproveitamento possível. Órgãos doados à quem estiver precisando, para alguma instituição de ensino, etc. O que sobrar, fica à cargo da minha família, mas de preferência que se gaste o mínimo possível para se dar destino. Não havendo problema algum em ser sepultado em vala comum, ou aquelas gavetas mortuárias. Bem, a palavra final fica com minha família, o que for melhor para confortá-los.

Todos os meus eletrônicos, incluindo meu MacBook Pro, iPad, Nintendo Switch, jogos, câmeras fotográficas, Kindle, etc., ficam para meu irmão, Guilherme. As senhas do meu computador etc. estão dentro do primeiro volume de Guerra e Paz, na minha estante.

Estou com o jogo Super Mario Odyssey (de Switch) emprestado de Otavio, que precisa ser devolvido. Ele se encontra dentro do console, e a capa está na minha estante.

Para minha namorada, Sthefanie, deixo a coleção do mangá Death Note, o Kindle que encomendei e está para chegar com pelo correio (comprei com meu dinheiro!), e os livros que tenho de Game of Thrones.

Ao meu primo/irmão, Enzo Eleutério, deixo a coleção dos livros de Harry Potter, e todos os meus mangás, com a excessão dos de Death Note (que, como disse, ficarão com a Sthefanie).

Aos meus pais, deixo o meu muito obrigado, pela vida mais confortável que puderam me proporcionar.

03 de Dezembro de 2019

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Gabriel Eleutério Sardinha

A Vingança do auto sacrifício

Vejam o vídeo: não é apenas engraçadinho, tem relação com o tema.

Um dos vídeos mais famosos do YouTube. Sim é armado, mas a atuação é muito boa e serve para exemplificar o que eu vou falar aqui no post.

Supostamente, o garoto estaria revoltado porque a mãe teria cancelado sua conta num jogo. Notem como ele chega a se sodomizar com um controle remoto. Qual o motivo dele fazer isto? Na cabeça dele, ele sabe que a mãe se importa com seu bem estar. Aflingindo dano à si mesmo, seria uma forma de vingança.

Não preciso dizer o quão infantil isto é… ou talvez precise? Quando não se está raciocinando direito, não é sempre uma atitude tão óbvia. Claro, introduzir um objeto no anus talvez seja descarado demais para não se notar o ridículo, mas não muito distante fica escolher uma carreira profissional pior só para fazer birra, ou outras atitudes auto destrutivas tentando atingir alguém que se importe com você.

Você pode até momentaneamente abalar a pessoa pretendida, mas é um plano falho: o mecanismo de defesa desta pessoa será se afastar, e não ter mais simpatia.

Este é um dos marcos que separam os homens dos garotos, as mulheres das crianças… saber que as consequências do mal que você se causar serão todas suas.

O amor próprio deve sempre superar o desejo de atingir aqueles que já se importaram com você.

Winds of change

Como alguns já sabem…

Estou com um tumor, na base da coluna.

Minha vida está de ponta cabeça.
Voltei de São Paulo para Niterói, terminei com minha ex-namorada, e senti mais dores do que acreditava ser humanamente possível se sentir.
Numa escala de 0 à 10, onde zero é dor nenhuma e dez é significa desistir de viver, cheguei à 9. E permaneci em 9 por mais tempo que gostaria de lembrar.
Muitas pessoas temem a morte. Isto porque não sabem o que é dor de verdade. A morte é um consolo.
Sabe aquela dor de dar uma puta topada com o dedinho na quina do móvel? Pois é, eu gosto deste tipo de dor. Porque é o tipo de dor que dói para caramba, mas você sabe que aguentando ela vai passar.
A dor que senti, vem forte, e permanece forte. A noite inteira. E o dia seguinte também.

O tumor é benígno, e operável. Mas tem seu lado malígno, que é comprimir os nervos.

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Temer o certo

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Certa vez, quando era mais novo, estava com um de meus pais andando de carro. Paramos no sinal. Um sinal que por acaso tinha um radar, e multaria qualquer um que o ultrapassasse quando fechado. Só que neste dia uma ambulância estava com as sirenes ligadas, indicando que precisava que dessem passagem. Nenhum dos carros da primeira fileira se moveu.
Me lembro também de uma história que meus pais me contaram sobre um amigo deles que encontrou um sujeito baleado na rua. Era tarde e as ruas estavam vazias. O homem sangrava. Ele prestou atendimento e, sujando todo o banco traseiro de seu carro de sangue, levou o desafortunado para um hospital. Depois de assegurar que o cidadão fosse atendido, ele se preparava para ir embora quando o policial que fazia a guarda do hospital o deteve. Sem ter testemunhas de que apenas prestara socorro, se o homem não sobrevivesse, ele teria que se explicar.

Duas situações onde apresentam-se consequências por se fazer a coisa certa. Recorrer de uma multa já é chato, imagine ter seu carro sujo de sangue e ainda por cima o risco de enfrentar acusações criminais. Nem todo mundo tomaria a decisão mais humana. Isto porque no antro familiar é que adquirimos nossas noções de certo e errado, moralmente falando. A sociedade não nos ensina, ela nos condiciona por punições. Sejam estas punições legais, ou a não-aceitação social. O preço que pagamos para viver em sociedade é abrir mão de algumas liberdades, mas nem todo mundo vê a perda de suas liberdades como legítima.

O que hoje em dia o que é ensinado pelo estado ao cidadãos é temer punições, e não buscar o correto pelo fato de ser o melhor a fazer. Assumir que é uma etapa natural do progresso o controle. Só que o controle atrapalha a colaboração. Se não houvesse o radar na primeira história, mesmo os menos inclinados a fazer sacrifícios colaborariam.

Não estou dizendo que quem largar um homem ensanguentado na porta de um pronto de socorro não deva ser investigado, mas deveríamos dar uma chance às pessoas de bem.