Category Archives: Pensamentos

Winds of change

Como alguns já sabem…

Estou com um tumor, na base da coluna.

Minha vida está de ponta cabeça.
Voltei de São Paulo para Niterói, terminei com minha ex-namorada, e senti mais dores do que acreditava ser humanamente possível se sentir.
Numa escala de 0 à 10, onde zero é dor nenhuma e dez é significa desistir de viver, cheguei à 9. E permaneci em 9 por mais tempo que gostaria de lembrar.
Muitas pessoas temem a morte. Isto porque não sabem o que é dor de verdade. A morte é um consolo.
Sabe aquela dor de dar uma puta topada com o dedinho na quina do móvel? Pois é, eu gosto deste tipo de dor. Porque é o tipo de dor que dói para caramba, mas você sabe que aguentando ela vai passar.
A dor que senti, vem forte, e permanece forte. A noite inteira. E o dia seguinte também.

O tumor é benígno, e operável. Mas tem seu lado malígno, que é comprimir os nervos.

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Temer o certo

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Certa vez, quando era mais novo, estava com um de meus pais andando de carro. Paramos no sinal. Um sinal que por acaso tinha um radar, e multaria qualquer um que o ultrapassasse quando fechado. Só que neste dia uma ambulância estava com as sirenes ligadas, indicando que precisava que dessem passagem. Nenhum dos carros da primeira fileira se moveu.
Me lembro também de uma história que meus pais me contaram sobre um amigo deles que encontrou um sujeito baleado na rua. Era tarde e as ruas estavam vazias. O homem sangrava. Ele prestou atendimento e, sujando todo o banco traseiro de seu carro de sangue, levou o desafortunado para um hospital. Depois de assegurar que o cidadão fosse atendido, ele se preparava para ir embora quando o policial que fazia a guarda do hospital o deteve. Sem ter testemunhas de que apenas prestara socorro, se o homem não sobrevivesse, ele teria que se explicar.

Duas situações onde apresentam-se consequências por se fazer a coisa certa. Recorrer de uma multa já é chato, imagine ter seu carro sujo de sangue e ainda por cima o risco de enfrentar acusações criminais. Nem todo mundo tomaria a decisão mais humana. Isto porque no antro familiar é que adquirimos nossas noções de certo e errado, moralmente falando. A sociedade não nos ensina, ela nos condiciona por punições. Sejam estas punições legais, ou a não-aceitação social. O preço que pagamos para viver em sociedade é abrir mão de algumas liberdades, mas nem todo mundo vê a perda de suas liberdades como legítima.

O que hoje em dia o que é ensinado pelo estado ao cidadãos é temer punições, e não buscar o correto pelo fato de ser o melhor a fazer. Assumir que é uma etapa natural do progresso o controle. Só que o controle atrapalha a colaboração. Se não houvesse o radar na primeira história, mesmo os menos inclinados a fazer sacrifícios colaborariam.

Não estou dizendo que quem largar um homem ensanguentado na porta de um pronto de socorro não deva ser investigado, mas deveríamos dar uma chance às pessoas de bem.