O bode na sala

Uma família, que vivia em um apartamento bem pequena, em um cidade pequena, vivia brigando. E o motivo da brigas era que o apartamento era pequeno demais. A filha reclamada do tamanho do seu quarto, a mulher reclamava do tamanho da cozinha, a sogra (que vivia com eles) reclamava que seu canto onde ficava tricotando era muito perto da sala e da cozinha e, apesar de gostar de ouvir conversa dos outros, o barulho da Tv e do rádio incomodava…

Enfim, todos reclamavam que a casa era muito pequena. O pai da família, que era o provedor, apesar de nunca ter deixado faltar comida na mesa, não tinha dinheiro para que a família se mudasse para um lugar maior.

A cidade era pequena, e quem resolvia pequenos conflitos etc. era um padre local.
O pobre homem, atormentado pelos seus parentes foi procurar conselho do ancião.
Disse que já estava em seu limite, não aguentava mais ser cobrado e atormentado. Amava sua família, mas chegou até em pensar no divórcio. A situação estava crítica.
Depois de pensar um pouco. O velho padre deu seu veredito: compre um bode e coloque-o na sala.

O homem saiu de lá enfezado. Que espécie de conselho estapafúrdio era aquele?! Como um bode na sala poderia ajudar?
Mas, ao chegar em casa, as primeiras reclamações lhe fizeram mudar de ideia.
Saiu e comprou um bode.

A reação da família não poderia ter sido pior.
A sogra reclamava que o bode fedia.
A mulher reclamava que o pode comia o forro do sofá.
A filha reclamava que agora tinha vergonha de trazer visitas para casa.

Passou-se uma semana, e o homem voltou ao padre.
“Coloquei o bode na sala, e a coisa só piorou!”
“Muito bem”, disse o padre “deixe mais uma semana”

O homem, que estava no fim de sua esperança, resolvou continuar seguindo o conselho do velho, que era muito famoso por solucionar conflitos.

Na segunda semana, ele voltou ao padre…
“Minha esposa está seriamente brigada comigo, minha filha quase não sai mais do quarto, ninguém aguenta mais o bode!”
“Mais uma semana…”

Na terceira semana, ele fala padre…
“Peguei minha mulher e minha sogra amolando facas para fazer o bode assado! Não duvido nada que tenha passado pela cabeça delas que aquelas facas seriam também para mim!”
” Mais uma semana!”

E na quarta semana, quando foi já ao ponto de enlouquecer ao padre, ele disse ao homem…
“Muito bem, pode tirar o bode da sala”

O homem voltou ao apartamento, quando sua família estava toda fora (agora tinham o costume de sair mais), e tirou o bode de lá. Aproveitou e ele mesmo fez uma faxina, para tirar o cheiro de bode.

Quando os membros da sua família voltaram, o homem foi elevado ao status de herói!
Oh, o grande homem que livrou a casa do maldito bode!
E como a casa estava espaçosa!
Como o bode dominava a sala, ninguém mais frequentava o cômodo, mas agora a casa tinha ganhado um aposento a mais!

Todos ficaram imensamente felizes, por ter uma casa mais limpa e espaçosa. E os problemas passados e reclamações sobre o tamanho do apartamento sumiram!


E é assim que nossos governantes resolvem muitas das reclamações dos eleitores.
Aqui na minha cidade (Niterói -RJ), por exemplo, as pessoas reclamam muito das condições do trânsito. O que a prefeitura faz? Melhora as condições de circulação? Não! Resolve fazer uma obra que torna o trânsito muito pior… colocam o bode na sala. Depois de alguns meses a obra finalmente acaba, e todos ficam maravilhados como o trânsito está melhor. Mas, na verdade, não está melhor do que esteve antes de terem colocado o bode na sala.

Isto pode ser usado para muitos casos, é uma peculiaridade psicológica humana

  • Está ruim seu computador? Experimente ter que resolver tudo só pelo celular.
  • Sua impressora está te dando raiva? Tente ter que ir à esquina imprimir qualquer coisa que precisa.
  • Está com problemas de relacionamento com seus pais? Se imagine na posição de quem tem pais piores que os seus (sim, apesar do que acha, existem aos montes)

Mesmo quem é rico, quando se acostuma com o cenário que vive acha que poderia estar melhor.
“Poxa, só consegui comprar aquele iate de 8 milhões, queria mesmo era aquele de 16 milhões 🙁 #chateado”

Precisamos fazer o melhor daquilo que temos e sermos gratos por isto.
Meu avô, agora já morto, me escreveu uma vez:

As pessoas felizes não necessariamente tem o melhor. Elas fazem o melhor daquilo que tem.

Não digo isto de sermos gratos com um vertente religioso, sou ateu.
Mas acho que devemos sim sermos felizes por aquilo que temos.

Eu passei por uma experiência terrível com o tumor na coluna. Mas felizmente tenho pais médicos e outras pessoas maravilhosas que me ajudaram a passar por isto.
Fiquei me lamentando da minha sorte? Não!
Fiquei feliz que tive condições de passar por este desafio.

Tenha força, e fiquei também feliz de ter superado seus desafios.